top of page

SONO BOM, o que isso tem a ver com o Transtorno Bipolar?

Atualizado: 21 de jan.



Sono e Transtorno Bipolar: por que essa relação merece tanta atenção?


Compreender como o sono funciona — e como ele se altera — em pessoas com transtorno bipolar é essencial. Mudanças importantes no padrão de sono, como dormir por longos períodos, passar noites em claro, ter poucas horas de descanso ou variar constantemente os horários de dormir e acordar, podem impactar profundamente quem convive com o transtorno ou tem predisposição genética. Ao mesmo tempo, o próprio transtorno bipolar interfere diretamente na qualidade do sono.

É uma via de mão dupla. Por isso, cuidar do ritmo e da regularidade do sono é uma das estratégias mais importantes para prevenção e estabilidade.


Sono na mania e na hipomania


Durante episódios de mania ou hipomania, a redução da necessidade de sono é um sintoma clássico. Mas o contrário também acontece: noites mal dormidas ou horários irregulares podem precipitar esses episódios.

Estudos mostram que entre 25% e 65% das pessoas com transtorno bipolar que vivenciam um episódio maníaco ou hipomaníaco tiveram, antes disso, alguma interrupção no ciclo sono–vigília. Às vezes, basta ficar acordado até mais tarde para ver um filme, conversar online ou participar de uma festa. Em outros casos, eventos estressantes — como uma doença grave ou a perda de alguém importante — podem desencadear o desequilíbrio.

Nos episódios depressivos, tanto a insônia quanto a hipersonia podem aparecer quase diariamente. Embora ainda não haja explicação definitiva, pessoas com transtorno bipolar parecem ter um relógio biológico mais sensível a essas mudanças.


Por que o sono é tão importante para quem tem transtorno bipolar


1) Ele influencia diretamente a qualidade de vida

Mesmo para quem não tem transtorno bipolar, dormir mal afeta humor, motivação, relações sociais, desempenho profissional e saúde física. Para quem convive com o transtorno, esses impactos podem agravar ainda mais o quadro.


2) Alterações no sono podem sinalizar recaídas

Mudanças no padrão de sono são frequentemente sinais precoces de novos episódios. A privação de sono, em especial, está fortemente associada ao desencadeamento de mania e hipomania.


3) O sono regula emoções

Dormir pouco intensifica emoções negativas diante de frustrações e reduz a capacidade de sentir prazer após conquistas. Isso fragiliza o equilíbrio emocional.


4) O sono sustenta o funcionamento cognitivo

A falta de sono prejudica memória de trabalho, atenção, velocidade de processamento e coordenação psicomotora — habilidades essenciais para o dia a dia.


5) A privação de sono aumenta impulsividade e comportamentos de risco

A impulsividade, que já pode ser um desafio no transtorno bipolar, se intensifica com noites mal dormidas. Isso inclui comportamentos de risco e maior vulnerabilidade à suicidalidade.


Como cuidar do ritmo do sono


Como o sono e o transtorno bipolar estão profundamente conectados, tratá-lo é indispensável. Além do tratamento medicamentoso, manter uma boa higiene do sono é uma ferramenta poderosa para estabilidade.


Alguns princípios importantes para levar para a vida:


1) Mantenha horários fixos para dormir e acordar, todos os dias.

2) Evite cochilos, especialmente no fim da tarde. Se precisar descansar, limite a soneca a cerca de uma hora.

3) Reserve o quarto apenas para atividades que favoreçam o sono.

4) Evite refeições pesadas nas horas que antecedem o horário de dormir.

5) Se não adormecer em cerca de 15 minutos, levante-se e faça algo relaxante.

6) Acorde sempre no mesmo horário, mesmo após uma noite curta.

7) Reduza luzes e evite telas algumas horas antes de se deitar.

8) Em casos de hipersonia, reduza gradualmente o tempo total de sono com ajuda de despertadores.


O papel da família


A família precisa compreender que mudanças na rotina do sono podem ser gatilhos importantes. Um convite inocente — “Vamos ficar acordados só hoje até mais tarde?” — pode parecer inofensivo, mas para quem tem transtorno bipolar, pode significar o início de um episódio maníaco ou hipomaníaco.

Também é fundamental que familiares aprendam a reconhecer sinais iniciais de episódios depressivos ou maníacos. Alterações no sono costumam ser um dos primeiros alertas. Estar atento e oferecer apoio nesse momento pode evitar que uma crise se instale por completo.


CUIDE BEM DE VOCÊ

Busque ajuda se precisar aqui


Lucinê Costa e Silva - Psicóloga - CRP04/22624



Comentários


bottom of page