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COMPORTAMENTO SEXUAL DE RISCO NO TRANSTORNO BIPOLAR

Atualizado: 28 de mar.


Falar sobre sexualidade ainda é tabu para muitos profissionais e para os seus pacientes. Não resta dúvida que a sexualidade está envolvida em muitas situações de adoecimento mental, por outro lado a sexualidade bem vivida e saudável é também fonte de proteção da saúde mental.


No transtorno bipolar nas fases de ativação a energia e os impulsos podem ser direcionados a várias áreas de forma intensa como compras, jogos, mudanças da aparência, atividades físicas, comida e sexo.  Quando há um direcionamento desta energia para a atividade sexual a pessoa pode se expor a comportamentos de riscos sem perceber.


É importante observar a elevação desses sintomas, pois eles precedem uma fase de ativação chegando e podem se apresentar em um nível excessivo tendo características de uma hipersexualidade.


 A elevação do impulso sexual pode trazer estragos em relacionamentos estáveis. Não é incomum que muitas pessoas que sofrem com o transtorno bipolar se envolvam em encontros sexuais casuais, busque por vários parceiros sexuais, ou desenvolva interesse intenso pela pornografia ou masturbação e se coloque em situações de indiscrição sexual. Muitos desses comportamentos podem levar a desfechos muito desagradáveis e prejudiciais tanto pessoais quanto nos relacionamentos.


À medida que os sintomas da mania/hipomania vão aparecendo com a elevação da energia há uma deficiência na capacidade de avaliação e percepção de risco, o que faz com que a pessoa se coloque em comportamentos que podem ser prejudiciais.

É como se o desejo sexual estivesse na quinta marcha, mas o “botão” de segurança do cérebro foi temporariamente desativado.  Assim, há uma maior probabilidade de trair um parceiro amado, além de se colocar em situações inseguras e imprevisíveis e se expor a doenças sexualmente transmissíveis.


O comportamento hipersexual não controlado também pode levar a consequências emocionais dolorosas, incluindo humilhação, arrependimento, culpa, vergonha. Com a hipersexualidade vem um sentimento subjetivo de perda de controle sobre o envolvimento em comportamentos sexuais – comportamentos que de outra forma poderiam claramente evitar e que estão completamente fora do padrão de vida desejado.

Muitas pessoas após o episódio apresentam um forte sentimento de arrependimento se questionando, “o que estava pensando quando fiz isso”, “não consigo acreditar que fui capaz”, muitas vezes sente nojo e muita vergonha de si mesmo.

 

O QUE VOCÊ PODE FAZER PARA EVITAR DESFECHOS DESAGRADÁVEIS?


Uma maneira eficaz é fazer um monitoramento do comportamento sexual regular, com ou sem parceiro, juntamente com o monitoramento do humor. Esse monitoramento ajuda a estabelecer uma linha de base para saber quando iniciam as alterações.  

É importante comunicar ao seu médico e terapeuta quando perceber que as sensações, pensamentos e percepções sobre a sexualidade regular estão começando a mudar. Nem sempre os profissionais que te acompanham irão perguntar sobre a questão, pois acabam se concentrando em outros sintomas, por isso é necessário ser claro, pode ser que haja necessidade de ajuste na sua medicação para amenizar a crise ou o impacto dela.


Em um relacionamento saudável é possível compartilhar com o parceiro(a) para o auxílio no monitoramento dos primeiros sinais e sintomas de elevação da energia e do impulso sexual para a busca de estratégias eficazes de controle.


MAS, COMO INTRODUZIR ESTA CONVERSA COM O PARCEIRO ROMÂNTICO OU O CÔNJUGE?


Discutir sobre a atividade sexual no relacionamento é uma questão de respeito, assim como se conversa qualquer outro assunto da relação. O momento ideal para se ter essa conversa é nos períodos de estabilidade, pode ser estranho, mas deixar claro o que pode acontecer em um episódio de ativação e sobre as estratégias efetivas para evitar prejuízos é fundamental. Isso facilita a ajuda do parceiro quando o episódio se aproximar. Ser aberto um com o outro, estabelecer limites, compreender sem julgamentos e ao mesmo tempo se protegerem de danos no relacionamento. Faz parte de ser adulto comunicar e comunicar bem a vivência e a experiência sexual avaliando padrões e limites que garantam a saúde do relacionamento.


Os Impulsos sexuais cada vez mais insaciáveis enviam uma mensagem de que há um episódio de humor no horizonte – assim como uma mudança de ondas suaves para ondas fortes muitas vezes pressagia uma tempestade que se aproxima. Observar estas alterações ajuda a buscar e implantar medidas antecipadas que podem evitar ou diminuir o episódio e evitar as consequências destrutivas.


REGULE OS IMPULSOS PRATICANDO ATENÇÃO PLENA (MINDFULNESS)


A prática de mindfulness tem a intenção de aumentar a consciência de padrões de pensamentos, sentimentos e sensações corporais para produzir uma mudança na forma de se relacionar com eles.  


Praticar essa mudança de perspectiva e observar sua experiência com curiosidade e compaixão permite que você se afaste e perceba que esses são apenas pensamentos fugazes em sua mente e você pode optar por não se envolver.

Prestar atenção na elevação do desejo sexual, que pensamentos, sentimentos e sensações corporais estão presentes pode auxiliar na evitação de desfechos ruins. A pausa que você faz para se observar ajuda a decidir se quer se identificar com aquela alteração e viver o que o impulso lhe pede ou buscar outras formas saudáveis e lidar.


A prática de auto-observação e de se autoacalmar dá uma sensação maior de controle sobre as oscilações e a regulação do impulso. Prestar atenção em si, conhecer o seu funcionamento, praticar o autodiálogo construtivo, praticar técnicas de relaxamento, são recursos efetivos que auxiliam em tomadas de decisões mais acertadas que evitem te expor a situações de risco.


Mesmo sendo a hipersexualidade um sintoma muito complexo da bipolaridade, com o tratamento farmacológico, estratégias psicológicas e comportamentais é possível não se expor a situações de risco e manter o seu relacionamento saudável.


Cuide bem de você.


Se precisar de acompanhamento psicológico para se cuidar melhor fale aqui.



Lucinê Costa e Silva - Psicóloga

CRP04/22623

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