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POR QUE O DIAGNÓSTICO DO TRANSTORNO BIPOLAR É TÃO DESAFIADOR?



O diagnóstico do transtorno bipolar é um dos maiores desafios da prática clínica em saúde mental. Embora seja um transtorno relativamente conhecido, sua apresentação é marcada por nuances que confundem até profissionais experientes. A maioria das pessoas busca atendimento durante episódios depressivos, que são mais frequentes ao longo da vida do que os episódios maníacos ou hipomaníacos. Isso favorece a confusão com a depressão unipolar e contribui para atrasos significativos no diagnóstico correto, impactando diretamente o tratamento e a qualidade de vida do paciente.


Quando os sintomas contam apenas parte da história


A complexidade aumenta quando observamos a sobreposição de sintomas com outros quadros psiquiátricos. Irritabilidade, impulsividade, alterações de sono, agitação e até sintomas psicóticos podem aparecer em diferentes transtornos, como transtorno de personalidade borderline, esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo e até condições clínicas gerais. Essa semelhança entre manifestações exige um olhar atento, cuidadoso e profundamente treinado. Muitas vezes, o que o paciente relata no momento não revela a totalidade do quadro — e é justamente essa lacuna que torna o diagnóstico tão desafiador.


Mais do que analisar o sintoma atual, diagnosticar o transtorno bipolar requer compreender a história de vida do paciente, o padrão dos episódios ao longo do tempo e o funcionamento entre eles. Pequenos detalhes — como períodos de energia excessiva, redução da necessidade de sono, aumento da produtividade ou decisões impulsivas fora do habitual — podem indicar episódios hipomaníacos que passaram despercebidos tanto pelo paciente quanto por profissionais menos experientes.


A importância da experiência clínica na construção do diagnóstico


Profissionais especializados em transtornos do humor desenvolvem a habilidade de identificar nuances que não aparecem em atendimentos rápidos ou superficiais. Eles sabem quando investigar mais profundamente, quando questionar o óbvio e quando considerar hipóteses menos evidentes. Essa sensibilidade diagnóstica reduz erros, acelera o acesso ao tratamento adequado e evita que o paciente percorra um longo caminho de tentativas frustradas.


Quando o transtorno bipolar é identificado de forma precisa, o tratamento se torna mais eficaz, o risco de recaídas diminui e o paciente ganha clareza sobre sua trajetória emocional. Um diagnóstico bem-feito não é apenas um ato técnico: é um ponto de virada que pode transformar a vida de quem convive com esse transtorno, oferecendo mais estabilidade, compreensão e possibilidades de cuidado.


Buscar ajuda especializada é um passo essencial para quem enfrenta dúvidas sobre seu diagnóstico ou percebe que os sintomas não se encaixam completamente no que foi inicialmente identificado. Profissionais experientes em transtornos do humor têm o olhar treinado para reconhecer nuances e conduzir uma avaliação cuidadosa, oferecendo mais segurança, clareza e um caminho terapêutico realmente alinhado às necessidades de cada pessoa. Procurar esse tipo de acompanhamento não é exagero — é cuidado consigo mesmo.


Cuide bem de você.

Lucinê Costa - Psicóloga


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