• Lucinê Costa e Silva - Psicóloga

COMO AJUDAR ALGUÉM COM TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC)

Atualizado: Mai 23



Uma a cada cinco pessoas sofre de transtornos mentais, o que significa que a chance de você conviver com alguém que tem algum sofrimento mental é grande.


Ainda assim, a vergonha das doenças mentais, como se elas estivessem ligadas à condição de falhas de caráter ou algum tipo de culpa pode dificultar a busca de ajuda ou até mesmo saber o que dizer para quem sofre.


Quando você se conscientiza sobre o sofrimento de uma pessoa que vive com um transtorno mental como o TOC você não só pode ajuda-la em seu sofrimento como desmitificar o preconceito a respeito do adoecimento mental. Você pode fazer a diferença na vida de quem sofre, pois na maioria das vezes se sentem incompreendidos e envergonhados por estarem sofrendo.


No TOC (transtorno Obsessivo Compulsivo) há obsessões e comportamentos impulsivos que se tornam perturbadores. Não é apenas ter um pensamento, uma ideia ou um comportamento, e dizer que é obcecado por isto. No TOC isto acontece de forma obsessiva e incontrolável. O cérebro reproduz um ciclo de constantes imagens e pensamentos intrusivos que se tornam perturbadores e até assustadores. A pessoa tem dificuldade de controlar seus pensamentos, mas eles aparecem insistentemente acompanhado de um medo de perder o controle, ou a necessidade de repetir comportamentos que atuam como alívio de uma grande angústia e ansiedade.


Segue alguns exemplos de como as obsessões e compulsões podem aparecer:

· Pensamentos indesejados e imagens de natureza sexual ou agressivas que quanto mais o temor de que elas apareçam, mais elas estão lá, e geralmente não condizem com os valores pessoais fazendo sentir-se como se fosse uma pessoa ruim.


.Obsessões com implicações religiosas, como um medo excessivo de pecar desencadeando uma enorme quantidade de terror e ansiedade se acidentalmente trouxesse um clip para casa, por exemplo.


· Sentir que as mãos estão sujas ou contaminadas após tocar em uma maçaneta da porta ou se preocupar com a possibilidade de contaminar outras pessoas com os germes. Para se livrar desses sentimentos lava-se as mãos repetidamente por horas a fio.


· Pensamentos intensos relacionados a possíveis danos a si e a outras pessoas que leva a rituais de verificação para aliviar a angústia, como por exemplo, imaginar a casa em chamas e retornar várias vezes para ver se desligou o gás de cozinha.


· Obsessões por simetria, organizar, ordenar e contar, como por exemplo organizar as camisas com precisão, ou repetir palavras para evitar algum perigo, o que geralmente não vem ao caso.


· Acumular itens que são considerados de pouco valor para maioria das pessoas, como revistas antigas, roupas, recibos, lixo eletrônico, anotações ou recipientes deixando desordenado o espaço de morar, vem acompanhado de um medo obsessivo de perder itens ou bens que podem ser necessários um dia e um excessivo apego emocional a objetos.


As pessoas que sofrem com o TOC podem buscar ajuda para amenizar estes desconfortos. Existem diversos tratamentos que funcionam e favorecem uma melhor qualidade de vida.


TAMBÉM EXISTEM MANEIRAS DE SER UM ALIADO E AJUDAR ALGUÉM QUE ESTÁ SOFRENDO COM TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO:


1. Não se refira ao TOC como se fosse algo simples – pode parecer uma tentativa de minimizar o sofrimento, mas não é útil dizer que todo mundo tem um pouco de TOC, para dizer que a pessoa não está sozinha. É bem diferente, no TOC há um Transtorno que interfere drasticamente no funcionamento normal da pessoa.


2. Se informe sobre o transtorno – ouça sem julgamento e diga que entende, já será de grande ajuda.


3. Acolha, mas não facilite – membros da família podem querer ajudar comprando mais sabão, ou respondendo perguntas repetidamente, você pode dizer: “parece que você está tendo uma obsessão e me pedindo para participar, mas eu não vou fazer isto porque estou do seu lado e não do lado do TOC”.


4. Celebre pequenas vitórias: para uma pessoa com TOC, pode ser difícil fazer algo tão simples como fazer uma refeição sem realinhar repetidamente os talheres. Ao dar um feedback positivo, você pode ajudá-la a ver que ela pode melhorar.


5. Você pode motivá-la a buscar ajuda profissional - os tratamentos através de psicoterapia Cognitivo Comportamental associados a farmacologia podem ajudar na redução dos sintomas, as pessoas podem ter vergonha e dificuldade de expor os seus problemas o que limita a busca de ajuda.


6. Com a crise da COVID-19 as pessoas que sofrem deste transtorno podem ter os sintomas agravados.


7. Aproveite a quarentena e assista ao filme TOC TOC para compreender como é sofrer deste transtorno.


8. Você pode ainda deixar aqui os comentários para motivar outras pessoas.


Ajude quem você ama.


Em tempos de pandemia o atendimento psicológico online é uma solução. Acesse: https://psicoclique.com.br/lucine-silva-costa-53991


Um abraço

Cuide-se


Lucinê Costa e Silva – Psicóloga CRP04/22623

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